CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ
Sessão: 164.1.52.O
Hora: 11:56
Fase: BC
Orador: CLAUDIO CAJADO, PFL-BA
Data: 03/09/2003

 

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho hoje a esta tribuna não apenas para parabenizar, mas também e principalmente para fazer uma justa homenagem ao Profissional de Educação Física, que comemora a regulamentação de sua profissão no dia 1º do mês de setembro.

Tudo começou quando o homem primitivo sentiu a necessidade de caçar para sobreviver.

Os índios, primeiros habitantes do Brasil, deram as primeiras contribuições com os mais básicos e naturais movimentos corporais tais como nadar, correr atrás da caça, lançar o arco e flecha, dançar, jogar e lutar.

Com a chegada dos negros para o trabalho escravo, começaram as fugas para os Quilombos, que os obrigava a lutar sem armas contra os capitães-do-mato - homens a mando dos senhores de engenho que entravam mato a dentro para recapturar os escravos. Com o instinto natural, e com a observação da briga dos animais os negros descobriram ser o próprio corpo uma arma poderosa e um elemento surpresa. Surgia então a Capoeira: "Um estranho jogo de corpo dos escravos desferindo coices e marradas, como se fossem verdadeiros animais indomáveis". São algumas das citações dos capitães-do-mato e dos comandantes de expedições, descritas nos poucos alfarrábios que restaram.

No Brasil Império, incluiu-se a ginástica nos currículos escolares, preconizando a obrigatoriedade da Educação Física nas escolas primárias e secundárias.

Mas foi no Brasil República, a partir dos anos 60, que começou de fato a profissionalização da Educação Física e o empenho por políticas públicas para propagação da mesma.

Nos anos 70, marcada pela ditadura militar, a Educação Física era usada, não para fins educativos, mas como propaganda do governo, sendo todos os ramos e níveis de ensino voltados para os esportes de alto rendimento.

Nos anos 80 a Educação Física viveu uma crise existencial à procura de propósitos voltados para sociedade. No esporte de alto rendimento a mudança nas estruturas de poder e os incentivos fiscais deram origem aos patrocínios e empresas que podiam contratar atletas funcionários fazendo surgir uma boa geração de equipes campeãs.

Finalmente, nos anos 90, a educação física começa a ser vista como meio de promoção à saúde, se tornando uma atividade acessível a toda população. Em 1998, após muita luta, é aprovada a lei que regulamenta a atividade de educador físico, criando-se os Conselhos Federal e Conselhos Regionais de Educação Física.

A partir daí, os profissionais de educação física para exercerem a profissão têm que estar regularmente inscritos no seu Conselho Competente, o que traz para a classe e para os praticantes da atividade física uma segurança maior, pois evita-se que pessoas sem a qualificação específica e sem o registro no conselho da categoria venham a exercer a profissão e colocar em risco a saúde de toda sociedade.

Criamos no Congresso Nacional a Frente Parlamentar em Defesa da Atividade Física que além de estabelecer uma maior representatividade para a categoria nas discussões de proposição do seu interesse, também irá defender as iniciativas, as ações e todo o trabalho que vá ao encontro das aspirações da sociedade, no tocante a uma política eficiente, que garanta o direito constitucional à população de amplo acesso à prática da atividade física, além de assegurar no orçamento da união recursos financeiros para a prática de esportes, ginástica, dança; garantir o direito constitucional da população de poder desfrutar da espaços condizentes para a prática de atividades físicas; conscientizar a população brasileira da importância da atividade física como um meio de promoção da saúde e garantir à população brasileira o atendimento por profissionais devidamente habilitados e qualificados;

Gostaria, não só na condição de Presidente desta Frente Parlamentar, mas também como praticante que sou de atividades esportivas, de parabenizar a todos os profissionais de educação física, em especial o Presidente do CONFEF - Conselho Federal de Educação Física, Dr. Jorge Steinhilber e os Presidentes dos Conselhos Regionais de Educação Física, na pessoa do Dr. Lúcio Rogério, Presidente do CREF 7.

Vamos juntos abraçar a causa da defesa da atividade física que atende não apenas a uma questão inerente à qualidade de vida, bem estar e estética, mas acima de tudo diz respeito à saúde, educação, convívio e inserção social.

Muito Obrigado.